A Luminosidade, empresa responsável pela coordenação do SPFW, assinou na última quarta-feira, doa 20 de maio, um acordo com o Ministério Público de São Paulo, que coloca em pauta a questão dos negros nos desfiles. O acordo determina que a organização do evento irá sugerir a todas as marca a contratação de pelo menos 10% de modelos negras, afrodecendentes ou indígenas do total do casting do desfile.
Esse acordo é um Termo de Ajustamento de Conduta que valerá pelos próximos dois anos e não interfere nas escolhas das marcas e designer, mas provavelmente as cotas sejam implementadas no futuro.
Depois da publicação de matérias em veículo de comunicação, informando que as marcas brasileiras não contratavam modelos com tais etnias, o Ministério Público abriu investigação e, depois de um ano, concluiu que não há prática de discriminação racial.
De acordo com o comunicado, o SPFW se compromete a encaminhar, em um prazo de 30 dias após cada edição, a comprovação de que a cláusula foi cumprida e a relação de todos os modelos que desfilara, por grife e apresentação, apontando os que se encaixam nesse critério. Caso não haja a possibilidade de cumprir o TAC, o fato deverá ser comunicado ao Ministério Público, que analisará a justificativa. O termo prevê uma multa de R$ 250 mil em caso de descumprimento de qualquer cláusula pelo SPFW.

A Top Model brasileira Emanuela de Paula

Essa novidade vem causando polêmica no mundo da moda. Nem todos concordam com o acordo feito entre o MP e a Luminosidade. O estilista Jefferson Kulig, que apresenta suas coleções no evento, acredita que essa proposta pode ter o efeito contrário. Ele acredita que a imposição gera preconceito e que a inclusão deveria ser abordada de maneira subliminar e inteligente, em vez de agressiva.
O dono da agência Way Model, Anderson Baugartner, tem uma opinião parecida com a do estilista. Ele afirma não saber qual a porcentagem de modelos negros, afrodecendentes e indígenas em seu casting, e supõe que o pedido possa levar a situações um tanto quanto indesejadas. Ele considera que, caso um estilista escolha uma modelo negra apenas por esse motivo, ela saberá e isso gerará desconforto. Se o desfile do estilista tem uma proposta e for escolhida uma modelo que não se encaixe nela, isso prejudicará a apresentação, independente da etnia da mesma.
Segundo a coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social, a promotora de Justiça Deborah Kelly Affonso, “não se trata que querer impor uma cora racial, mas de promover a inclusão de afrodecendentes e indígenas nesse segmento.” As grifes que não seguirem a recomendação. Apesar de ser uma “sugestão”, as grifes terão que acatar o termo, ou então, apresentar suas justificativas ao MP. Os castings do Fashion Rio já estão acontecendo e a indicação é a mesma: negros e indígenas nos desfiles.
A polêmica das cotas continua e cresce cada vez mais, deixando no ar uma série de questionamentos. Qual é a raiz do problema? Essa é a maneira mais adequada de resolvê-lo? Provavelmente, perguntas como estas ainda demorarão a ser respondidas.
Fonte: Manuela Casali Cordeiro – Portais da Moda
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